Rocinha, quatro e meia
Baile funk · Tamborzão · 3:50
Uma da manhã, caipirinha na mão. Às quatro e meia, ela já não é a mesma.
Letra de Rocinha, quatro e meia
A letra acompanha a música · Toque numa linha pra ir até ela
Rocinha.
Caipirinha à mão.
Uma da manhã.
Bora!
Parisienne, toda arrumada
Bouche carmin, cara fechada
Corps corseté, attitude de diva
J’entre dans le baile
Viro a batida
Baile saturé
Grave incandescent
Olhares de lado
Já tô marcada
Je vois les filles descendre
Avec insolence
Desce, desce
Baixa, baixa
Imito a pose
Mas seguro ainda a transe
Moi, je bouge
Só um pouquinho
Desce mais baixo
Baixa, baixa
Não olha pra trás
Je pourrais me perdre
Talvez, talvez
Ou talvez não
Quem sabe?
Já mudei de vez
Mais quand le grave éclate
Já não respondo por mim
Bate, bate
Le grave dans la poitrine
Desce mais baixo
Baixa, baixa
Joue la féline
Bate, bate
Sem perder o fôlego
Desce, desce
Quando eu fecho os olhos
Viro soberana
Je descends avec lenteur
Desço devagar
Sem pudor
Baixa, baixa
Deixa o corpo cair
Je remonte avec fureur
Subo mais forte
Com calor
Desce de novo
Faz o chão tremer
Visage de sainte
Mas o vício mora no quadril
Solta esse corpo, gringa.
Alô, olha só.
Quatro e meia, quatro e meia.
Tô no baile, j'en veux encore, meu bem.
Desce, baixa, baixa, joga pra trás.
Joga, joga, não para jamais.
Quatro e meia, quatro e meia.
O grave desce
e meu corpo responde assim.
Desce, baixa, baixa, joga pra trás.
Quatro e meia, j'en veux encore, vem cá.
Uma da manhã, o corpo discipliné.
Duas da manhã, já tô desinibida.
Três da manhã, les cheveux détrompés.
Quatro da manhã, meu corpo em chama.
Le grave dans la nuque,
o grave pula baixo da pele.
Mudei visage.
Me olha, me chama,
me prende, me enlouquece.
Je descends só pra provocar.
Desce, desce, deixa ele aguentar.
Je descends encore, baixa mais uma vez.
Recorto o tempo,
entro secando o contratempo.
Sigo as curvas.
Se ele pensa acompanhar,
je débloque o movimento.
Eu mudo o passo, faço ele suar.
Joga, joga.
Trava, trava.
Desce, desce.
Baixa, baixa, baixa.
Bota, bota, bota.
Body dans l'attitude,
Rio na cintura.
Desce com calma, baixa sem censura.
Visage de sainte,
mas a dança é sem censura.
Bouche close, olhar venenoso.
Pas minuscule et précis.
Desce bem baixo, passinho pequeno,
final escandaloso.
Tu progresses, gringa.
J’apprends?
Meu amor…
Regarde-moi!
Bora-bora!
Bate-bate
Grave obscène
Meu corpo se abraça
Desce seca
Remonte lente
Baixa, baixa
A favelada se movimenta
Joga pra frente!
Joga pra trás!
Desce!
Baixa!
Il provoque!
Ela quer mais
Quer muito mais!
Frappe dans le grave
Bate forte na medida
Entaille le tempo
Corta a batida
Descends dans le rythme
Desce sem medo
Baixa mais fundo
Reviens plus forte
Volta mais quente
Sem segredo
Uma e meia!
Duas e meia!
Três e meia!
DESCE, DESCE!
BAIXA, BAIXA!
Quatre…
e…
Desce, gringa.
Regarde bien
Olha só
Desce…
Baixa…
QUATRO E MEIA!
QUATRO E MEIA!
TÔ NO BAILE!
J’en veux encore, meu bem!
DESCE!
BAIXA!
DESCE!
BAIXA!
TRAVA!
JOGA!
VOLTA!
QUATRO E MEIA!
QUATRO E MEIA!
Le grave déferle!
Meu corpo responde assim!
DESCE, DESCE!
BAIXA, BAIXA!
DESCE MAIS!
BAIXA MAIS!
JOGA PRA TRÁS!
QUATRO E MEIA!
J’en veux encore
Vem cá!
Quatro e meia.
Rocinha.
Bora.
Bora!!
A história da faixa
Uma da manhã, caipirinha na mão. Às quatro e meia, a parisiense certinha deixou o grave decidir.
Uma da manhã, caipirinha na mão: uma parisiense toda arrumada, boca carmim e cara fechada, entra num baile na Rocinha. Em volta, as meninas descem até o chão sem pudor; ela se mexe “só um pouquinho”.
Hora a hora, o grave vai ganhando: comportada à uma, desinibida às duas, cabelo encharcado às três. Às quatro e meia, é ela quem comanda a dança.
« Visage de sainte, mas o vício mora no quadril. »“Rosto de santa, mas o vício mora no quadril.”

